Infectologia: Toxoplasmose
O dilema da interpretação correta da sorologia em gestantes quando a dosagem de IgM é positiva.
Para muitos clínicos e obstetras, ainda é valido o conceito de que a presença de IgM, numa reação sorológica para toxoplasmose feita em uma gestante, traduz infecção aguda e de que o feto, por conseqüência, corre o risco de ser infectado e apresentar malformações de graus variáveis.
Com a possibilidade de obter informações médicas pela Internet, as gestantes que apresentam uma reação de IgM positiva também podem, em decorrência da qualidade dos textos científicos, ficar mal informadas e extremamente ansiosas quanto à possibilidade de transmitir a infecção para o bebê.
O conceito de que a presença de IgM é sinônimo de infecção aguda, no entanto, consiste num paradigma que precisa ser eliminado, a partir do momento em que médicos e gestantes tomem conhecimento de que, em razão do aumento de sensibilidade da metodologia empregada, a IgM pode ser detectada por períodos longos, até superiores a 24 meses, a partir do início da infecção. Essa positividade, portanto, é considerada residual e não representa nenhum efeito nocivo para o feto.
O desconhecimento desse novo conceito faz com que o médico inicie o tratamento da gestante por toda a gravidez, usando medicação não isenta de efeitos colaterais de modo desnecessário, com custo emocional elevado para a paciente e financeiro para o serviço de saúde como um todo.
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